BOCHA ADAPTADA

HISTORIA DA BOCHA ADAPTADA

O que é a bocha adaptada?

A Bocha Adaptada, também conhecida como Bocha Paralímpica, é um esporte oriundo da Bocha – um jogo tradicional difundido e trazido para o Brasil pelos imigrantes italianos, que consiste em arremessar bochas (bolas) em direção a uma pequena bola denominada bolim, balim ou jack, sobre uma cancha (ou quadra). A Bocha sofreu algumas modificações para que pessoas com deficiência pudessem praticar esse esporte, dando origem à Bocha Adaptada.

Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) , a modalidade adaptada surgiu na década de 1970 e, atualmente, é administrada pela ANDE – Associação de Desporto para Deficientes.

A Bocha Adaptada é praticada por pessoas com elevado grau de paralisia cerebral, lesões medulares ou deficiências severas, e apresenta um diferencial no esporte por ser uma modalidade em que homens e mulheres competem juntos, em disputas individuais, em duplas ou por equipes. Assim como no esporte de origem, na Bocha Adaptada o objetivo é lançar as bolas coloridas o mais próximo possível da bola branca chamada de jack, conhecida no Brasil como bolim.

Todos os atletas competem em cadeira de rodas, e são divididos em quatro classes de acordo com a classificação funcional (BC1, BC2, BC3 e BC4), que varia conforme o grau de deficiência e da necessidade de auxílio de terceiros. Eles ficam sentados, em suas cadeiras de rodas e limitados a um espaço demarcado para fazer os arremessos, que podem ser feitos com as mãos, com os pés, com a utilização de intrumentos de auxílio ou ainda contar com a ajuda dos calheros (auxiliares), no caso de atletas com maior comprometimento de membros.

AS REGRAS PARA A DISPUTA DE JOGOS

O jogo consiste de 6 bolas vermelhas, 6 azuis e uma branca. As bolas são construídas em couro e mantém as características de uma bola de futebol de salão em tamanho menor.

Antes do início da partida, o árbitro tira na moeda (cara ou coroa) o direito de escolher a cor das bolas para o jogo.

O lado que escolhe as bolas vermelhas inicia o jogo, jogando o primeiro jack (bola branca) e uma bola vermelha. Em seguida, é a vez da do jogador (ou dupla/equipe) que utiliza as bolas azuis, que deve efetuar o lançamento de uma de suas bolas. . A partir de então, os adversários se revezam a cada lance para ver quem consegue posicionar as bolas o mais perto possível do jack. A área do jogo mede 6m de largura por 12,5m de comprimento.

[1] Ver mais em: http://www.cpb.org.br/modalidades/bocha

As partidas podem ser disputadas individualmente, em duplas ou em equipes. As partidas individuais ou em duplas são disputadas em 4 (quatro) sets e vence a equipe que somar mais pontos nos quatro sets. As partidas em equipes são disputadas em 6 (seis) sets e vence a equipe que somar mais pontos nos seis sets.

Caso termine empatada a soma de pontos, disputa-se o tie break, ou seja, um set desempate.

CONTAGEM DOS PONTOS

Cada bola vale um ponto, para ganhar um ponto, o atleta tem de jogar a bola o mais próximo do jack. Soma-se as bolas que se encontram mais próximas da bola branca e atribui-se um ponto para cada bola. Caso um mesmo jogador tenha colocado outras bolas mais próximas do jack, cada uma delas também valerá um ponto. Se duas bolas de cores diferentes ficam à mesma distância do jack, os dois lados (azul e vermelho) pontuam. O vencedor será quem acumular a maior pontuação, isto é, que posicionarf o maior número de bolas próximo ao jack..

OS ATLETAS:

Para ser um atleta competitivo de Bocha Adaptada, ou seja, aquele que tem condições de competir em torneios oficiais, o atleta tem que ser um cadeirante, ter seqüelas severas de paralisia cerebral e/ou ser lesado medular e comprometimento severo nos quatro membros.

Devido aos diversos tipos de deficiência a modalidade esportiva, há uma divisão em quatro categorias, cada uma com sua característica de deficiência:

INDIVIDUAL BC1

Nesta categoria os atletas podem jogar com o pé e podem ser assistidos por um Assistente Desportivo que deve permanecer sentado, se possível, pelo menos dois metros atrás da casa de jogo, numa área designada. Este Assistente só pode avançar e dar assistência se for visivelmente requisitado pelo jogador.
Estes Assistentes Desportivos executam tarefas tais como:
– Ajustar ou estabilizar a cadeira de rodas.
– Entregar a bola ao jogador.
– Arredondar a bola

INDIVIDUAL BC2

Nesta categoria os jogadores não podem ser assistidos por um Assistente Desportivo. Eles só podem pedir ajuda a assistência do árbitro, durante o seu tempo, para apanhar uma bola do campo ou ir dentro do campo.

INDIVIDUAL BC3 – (Jogadores que usam calha)

Nesta categoria, estão os Jogadores com uma disfunção motora severa nas quatro extremidades, de origem cerebral ou não cerebral. Os jogadores não impelem a cadeira de rodas funcionalmente, dependendo de um acompanhante ou uma cadeira de rodas elétrica.

Os Jogadores não tem uma pega sustentada, nem uma acção de largada, podem ter movimento do braço más com uma amplitude funcional de movimento insuficiente para consistentemente, impelir uma bola para dentro do campo. A cada Jogador é permitido ser assistido por uma Assistente Desportivo (Calheiro) que permanecerá na casa do Jogador, mas que deve estar de costas para o campo e os olhos afastados do jogo.

INDIVIDUAL BC4

Nesta categoria estão os Jogadores com uma disfunção motora severa nas quatro extremidades, combinado com um controle dinâmico do tronco pobre, de origem não cerebral ou de origem cerebral degenerativa. O Jogador terá que ser capaz de demonstrar suficiente destreza para manipular e lançar uma bola de bocha consistentemente, para dentro do campo. É evidente uma fraca preensão e largada, combinada com um tempo lento de largada e de continuidade de movimento. Pode ser observável uma falha de controle sobre a harmonia e velocidade do movimento e sincronização. Os Jogadores não podem ser assistidos por um Assistente Desportivo. Eles só podem pedir ajuda a assistência do árbitro, durante o seu tempo, para apanhar uma bola do campo ou para ir dentro do campo.

 

Compete-se ainda em:

Pares de BC3 – Deve ter pelo menos um atleta com Paralisia Cerebral em     campo, e deve incluir um Suplente.

Pares de BC4 – Devem ter um suplente

Equipes: São os atletas de BC1 e BC2, podem ser assistidos por um Assistente Desportivo e deve manter pelo menos um jogador BC1 em campo, pode ter até dois suplentes, entretanto um deve ser BC1.

 

Classificação funcional na Bocha Adaptada. Fonte: Site do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Classificação funcional na Bocha Adaptada. Fonte: Site do Comitê Paralímpico Brasileiro.

BOCHA ADAPTADA EM MARINGÁ

Um pouco de história

As atividades de Bocha adaptada em Maringá inicialmente foram  desenvolvidas pela AMDD-Associação Maringaense de Desporto Para Deficientes, que em parceria com o CVI – Centro de Vida Independente de Maringá, e a AMDF – Associação Maringaense de Deficientes Físicos, procurou desenvolver programas do desporto Paralimpico para pessoas com deficiência.

Os programas da AMDD iniciaram-se no ano 1996 quando três atletas de Natação de Maringá foram competir nos Jogos Brasileiros em Curitiba. Como um desses atletas retornou com uma medalha de prata na categoria S-2, iniciou-se o trabalho no Paradesporto. Inicialmente na Natação, depois com Poly Batt, Tênis de Mesa, e posteriormente com a Bocha Adaptada. Com o passar dos anos o CVI ficou com os programas de Natação, Tênis de Mesa e Poly Batt, enquanto que a AMDD ficou com a Bocha Adaptada.

Em 1997, um grupo de atletas de natação foram competir nos Jogos Brasileiro, em São Paulo, dentre esses, um atleta mesmo sem experiência alguma estava inscrito para participar na disputa em Bocha, e para nossa alegria ele trouxe uma medalha de ouro em sua categoria BC2.

Em 2011, a AMDD se transformou em UMPM – União metropolitana Paradesportiva de Maringá, que continuou mantendo e incentivando o esporte Paralímpico em Maringá e região, levando o nome de Maringá para os quatro cantos do país em competições nacionais e cedendo seus atletas pra formar a Seleção Brasileira de Bocha Adaptada, além de incentivar outras modalidades paralímpicas.

Como se trata de esporte pouco popular, a ajuda financeira que recebemos é quase nula, e muitas vezes temos que desistir de uma competição por falta de condições financeiras para o transporte e estadias durante as competições, o que acaba desmotivando os atletas, deixando-os desacreditados de suas condições de competir.

e isso desmotiva o atleta fazendo com que ele não acredite em sua condição de competir. Como o desporto Paraolimpico é dispendioso, devido às dificuldades de transporte, acomodações, acompanhamentos, treinamentos e material de treinos, estamos sempre em sentido de alerta, pois infelizmente nunca temos certeza de que no próximo campeonato teremos condições de participar e competir.

Entretanto, seguimos firme na luta para manter as atividades em dia, buscando resultados e uma melhor qualidade de vida para nossos atletas. Assim vibremos hoje com o que conquistamos hoje, pois não temos certeza do amanhã.

Gostaria de ajudar a Bocha Adaptada em Maringá? Saiba como por aqui. (link da aba “como ajudar”) ou entre em contato (link da aba “contatos”) conosco!

Curiosidades

A extinta Associação Maringaense de Desporto para Deficientes – AMDD, fundada em agosto de 2002, foi e entidade quem estimlou e deu início à modalidade de Bocha Adaptada na cidade de Maringá-Pr. No começo, houveram dificuldades para os treinamentos em função das bolas usadas nesse esporte, haja vista que não eram fabricadas no Brasil e, portanto, precisavam ser importadas do exterior.

Após dois anos de pesquisa, a AMDD conseguiu descobrir o material ideal para o peso e o tamanho exigidos pelo Comitê Internacional de Bocha (IBC-sigla em inglês), com a colaboração da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Foram muitas experiências até encontrar o material ideal para o enchimento das bolas.

Para executar este trabalho, algumas pessoas com deficiência física, participantes do Programa Reabilitação na Comunidade desenvolvido pelo CVI – Centro de Vida Independente de Maringá e associadas à AMDD, participaram de um curso de costura de bolas e se habilitaram para a fabricação das mesmas. Estas mesmas pessoas, que durante a semana costuravam as bolas em casa,  em dois encontros semanais se reuniam para finalizar o trabalho, efetuando o enchimento e fechamento das bolas. O trabalho é todo manual e se tornou também fonte de renda para estes trabalhadores.

As bolas para Bocha Adaptada fabricadas pela AMDD já foram homologadas e certificadas pelo Comitê Internacional, portanto, o Brasil já esta apto a exportá-las, um produto genuinamente Maringaense com o nome BOCHA BRASIL, na época, única produção na América do Sul.

 

HISTÓRICO DE CONQUISTAS

Em competições de Bocha Adaptada tivemos a participação da AMDD em várias competições e em vários Estados brasileiros.

Nos jogos Paradesportivos da Região Sul, realizados em Itajaí-SC em 2002, obtivemos o 3º lugar no geral. Em 2004, na mesma cidade de Itajaí, conquistamos o 1º lugar. Em 2005, no Campeonato Brasileiro, em Alfenas – MG, um de nossos atletas BC2 conquistou o 4º lugar. Em 2006, no Campeonato Regional de Bocha, realizado em Curitiba-Pr, ficamos com o 3º lugar no geral e tivemos um atleta BC2 e outro BC4 classificados para os Jogos Brasileiros, ocorrido no mesmo ano na cidade do Rio de Janeiro.

Em março de 2007, no Campeonato Regional de Bocha, realizado em Maringá, obtivemos o 2º lugar no geral e ainda classificamos cinco atletas para disputar o Campeonato Brasileiro, que infelizmente por falta de verbas não foi realizado. Em 2008 no Campeonato Regional Fase Sul realizado em Curitiba, obtivemos o 2º lugar e ainda classificamos 4 atletas que se integraram à Seleção da Região Sul, nas disputas pelo o Campeonato Brasileiro realizado no mês de Outubro na cidade de Guarujá-SP, onde obtivemos 3 medalhas de prata com esses 4 atletas e por equipe a Seleção da Região Sul, obteve a 3ª colocação. No ano de 2009, no Campeonato Regional Sul, realizado em Maringá, durante os dias 18 a 20 de Junho, obtivemos a 3ª colocação e classificamos 2 atletas BC2 para comporem a Seleção da Região Sul, que em Setembro participou do Campeonato Brasileiro com as demais seleções Regionais ocorrido na cidade de Curitiba ,e obtivemos  a segunda colocação,

No ano de 2010, o Campeonato Regional Sul, foi realizado na cidade de Joinville, onde nossa equipe ficou novamente em segundo lugar, classificando 2 atletas da categoria BC-2 e  um atleta da categoria BC-3, para o Campeonato Brasileiro que foi realizado na cidade de Uberlandia, onde a Região Sul, ficou novamente com o segundo lugar.

No ano de 2011, já como UMPM participamos do Campeonato Regional Sul, na cidade de Itajai, onde ficamos em 2º lugar, e novamente classificamos 3 atletas para o Brasileiro, que foram  realizados na cidade de Curitiba no mês de Outubro.

Em 2017, no Campeonato Regional Sul de Bocha Adaptada, tivemos uma medalha de prata na categoria BC2 e uma medalha de bronze na categoria BC4.

Ainda em 2017, o atleta Mauro Fernando Santoro (categoria BC2) foi convocado para compor a Seleção Brasileira na Copa América, que aconteceu na cidade de Santiago de Cali – Colômbia, conquistando segundo lugar por equipe (BC1/BC2).

 

FOTOS DE COMPETIÇÕES:

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